24/05/18

EVOLUCIONISMO É OBSCURANTISMO

"xiu... não digas nada!"

18/05/18

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDLIII

INFORMAÇÃO PEQUENINA!


Por alguns indicadores que temos notámos que o artigo "Comunhão Sacrílega" foi mal recebido por alguns leitores, os quais NÃO LERAM O AVISO "VER COMENTÁRIOS" abaixo do vídeo.

Na caixa de comentários do artigo está:

"AVISO: Não se trata de uma promoção à Canção Nova, nem ao Sacerdote em questão. Trata-se de fornecer dados de reflexão, não só no assunto central do sermão, como também das circunstâncias."

Pedimos desculpa aos leitores que não chegaram a ler o aviso (o qual passará a estar a cor vermelha).

17/05/18

MONARQUIA ?! - Frei Bernardo de Brito


Em 1597 saiu a primeira parte da Monarchia Lusitana, da autoria do Cronista-geral Fr. Bernardo de Brito (do Real Mosteiro de Alcobaça).

Como eram tempos de Felipe II, talvez sem outros motivos, alguns criticaram esta primeira parte dizendo que antes de Portugal não se podia falar de Monarquia, visto que ela está reservada para situações mais elevadas.

Na segunda parte da mesma obra, Fr. Bernardo respondeu às críticas; na explicação dá clara, rica, e resumida fonte desenganadora de outras opiniões difundidas nestes nossos tempos, relativamente ao significado de "monarquia".

Aqui está:

"Três coisas (entre outras menos principais) notaram alguns escrupulosos na Primeira Parte desta obra, a que porventura esperarão emenda nesta Segunda. A primeira foi o nome de Monarquia, que estranharam, dizendo, ser roubo que se fazia às quatro famosas de Caldeus, Persas, Gregos, e Romanos, cuja era propriamente a grandeza deste título; não alcançando porventura a significação da palavra Grega Monarchichon, que tanto vale como governo de uma só pessoa, e o de Monarchia, que é estado regido por uma só cabeça independente doutra, por onde não só Portugal, que além de sua grandeza, senhoreia tantos Reinos, e Províncias em diversas partes do mundo; mas qualquer pequeno estado governado por um só Príncipe, se chama propriamente Monarchia, e seu regimento Monarchicho. E se os quatro Reinos famosos do Mundo, tiveram este apelido, não foi (como alguns inadvertidamente imaginam) por sua grandeza, senão pelo senhorio de cada um deles pender de uma só pessoa, que não reconhecia superioridade a nenhuma outra da terra." (do Prólogo do Autor aos Leitores...)

Portanto, salientemos:

1 - Como a primeira parte da obra tratou o que estava antes do Reino de Portugal, e dando então certa razão aos ditos "escrupulosos", é indubitável que em tempos do autor as quatro famosas monarquias antigas em conta eram a dos Caldeus, Persas, Gregos, e Romanos, pelo que se há de encontrar nestas a credibilidade para quem estude seriamente o significado de "monarquia" pelas fontes;

2 - A Monarquia é considerada para lá dos simples reinos etc., por requerer uma universalidade e organização de toda a sociedade dos territórios;

3 - A Monarquia tanto é "o governo de uma só pessoa" como "estado regido por uma só cabeça independente doutra". Ou seja, tanto se chama Monarquia ao ACTO, como ao domínio daquilo que é REGIDO, desde que, num e outro caso sejam por uma só pessoa/cabeça;

4 - Nisto, Portugal é sabido como "estado regido por uma só cabeça independente doutra, (...) Portugal, (...) sua grandeza, senhoreia tantos Reinos, e Províncias em diversas partes do mundo....";

5 - Frei Bernardo de Brito é um monge, homem douto até aos olhos régios, um marco na nossa história escrita, sábio entre as folhas antiquíssimas da inacessível biblioteca do Mosteiro de Alcobaça. Ele repete o que sabe e adquiriu dos nossos antigos (tradição): "... não foi (como alguns inadvertidamente imaginam) por sua grandeza, senão pelo senhorio de cada um deles pender de uma só pessoa..." e não havendo no território de mais alguém (evidentemente, não está em questão o poder espiritual).

Posto isto, recordamos que, entre todos os nossos antigos que escreveram com isenção, sumo conhecimento, desinteresse, tal é o caso de Fr. Bernardo de Brito, não encontrámos outra tradição para o conceito de "monarquia", antes pelo contrário, encontramos sempre o mesmo, quer implícita quer explicitamente.

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDLII

16/05/18

RABINO Yosef Porat - A RAZÃO MAIS ALTA QUE O FANATISMO


O Rabino Yosef Tzvi Ben-Porat é grande adepto do conhecimento e da avaliação objectiva dos factos, em vez de gerar ódios e atribuir culpabilidades históricas relativamente a judeus, e não judeus.

Não significando concordância com todas as afirmações do Rabino, da nossa parte fica uma pequena e simbólica homenagem ao entendimento como fruto da análise objectiva e séria dos factos, principalmente quando está em causa a culpa ou inocência de quem quer que seja.

Evidentemente, não chamamos "anti-semita" ao Rabino Yosef Bem-Port; há que desejar o diálogo científico desapaixonado sobre dogmas históricos, e promover tal abertura. Não seja essa uma exclusiva iniciativa de judeus, mas tb. de cristãos.

Fica o vídeo:

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDLI

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDL

15/05/18

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXLIX

O QUE PROPAGAVAM OS LIBERAIS? (I)

No séc. XIX, em Portugal, um dos mais significativos e expressivos difusores dos liberais foi o "Velho Liberal do Douro", do qual selecionámos passagens significativas para advertir os leitores, e as fazemos acompanhar de comentários nossos.

"Reformar edifícios e vestidos é coisa fácil, e por isso o Mundo está cheio de trolhas e  remendões; porém reformar Leis e costumes, e levanta uma Nação decadente a um estado de esplendor e de glória é obra de um Génio raro, e grandemente ilustrado. [Os liberais tinham com referência os Reinos onde as "novas ideias" tinham conseguido algum sucesso e implementação; para estas mentalidades em descatolização tudo isso era a alternativa ao que na "velha" Civilização já não entendiam, ou lhes desagradava; evidentemente, por "reforma dos costumes" entenda-se "abandono dos bons costumes" e com "reforma das leis" entenda-se de forma equivalente; uma Pátria assente na Civilização Cristã e milenar sabedoria é para eles uma "Nação decadente" - quando a única decadência foi aquela trazida pelos iluministas, pela a maçonaria, a revolução, e o próprio liberalismo; qual esplendor? Não é ele mais o dos tempos de D. João V? Não. Não é mais o de D. Manuel I? Não. É algum que os Reinos da cristandade se tivessem gloriado no passado? Não, nem isso! É uma outra glória fantasiada, e alimentada por meia dúzia de "doces" que o crime, a loucura, a impiedade das novidades do momento inspiravam.] Os Reformadores sempre encontrarão obstáculos nas suas empresas, e contradições temíveis. [Reforma? A mentalidade revolucionária, a mentalidade liberal, e até a mentalidade modernista conseguem chamar reforma à mutação; quais "evolucionistas-sem-o-saberem", que fazem de mutação "evolução". Nós depois de dois séculos não nos adianta gritar-vos daqui: NÃO FOI REFORMA, foi REVOLUÇÃO, mutação, mutação, foi o sem razão, foi a perseguição e o encerramento de TODAS AS ORDENS RELIGIOSAS ... que direis vós a isto se a nossa voz de hoje vos tivesse chegado a esse tempo? Mas outras vozes vos chegaram, e no vosso tempo, e bem mais ilustradas, e não as ouvistes, e deste-lhes perseguição e calúnia difamante, e zombastes delas, reunistes e promovestes os seus inimigos, nunca tivestes a verticalidade e honestidade de colocar os factos na mesma mesa para não vos submeterdes à honestidade à verdade. Se houvesse verdadeira reformas a fazer, seria a vós.] S. Bento, querendo reformar os seus Monges, eles lhe propinaram um copo de veneno [espertos... o Diabo sabe até as Escrituras de frente para trás]; e talvez que daí proceda a aversão que os Monges e Monjas mostram à Reforma da nossa Carta [e que cristão em são juízo se acharia certo, se ATÉ os monges de toda a sua Pátria o advertem com rigor? exigiria que Deus lhe fizesse baixar um Anjo do Céu em especial e particular missão? Não... nem que viesse o próprio Deus falar a estes liberais eles se demoveriam de seu fanatismo e cegueira]. O Salvador do Mundo foi acusado e condenado à Cruz, porque ele quis reformar a Sinagoga e o Gentilismo [reformismo, restauracionismo, etc, dizem estes liberais... viu-se onde foi parar o "restauro", viu-se onde foi parar a "reforma"; como se fosse o tempo apropriado para reformar, e logo para reformar ao contrário]; e é por isso que todos os Judeus anti-Constitucionais têm feito tamanha guerra à nossa Constituição. [e restaurou Cristo a mesma Sinagoga?]

Um dos lugares comuns e estribilho geral  que os espíritos curtos e fracos opõem à Reforma é o seguinte: "Reformar não é destruir - não se vai contudo ao cabo - temos de ir muito devagarinho". [há noção de que a população e as autoridades não devem ser provocadas, e que a "reforma" seja feito o mais discreto possível, gradualmente; sem medo podemos achar que é esta a versão conservadora dentro dos liberais] Sim, Senhores, isso é justamente o que querem os nossos contrários para nos apanharem sempre no meio da obra, e atirarem tudo por terra em um momento. [enfim, a estes "nossos contrários" chamemos Portugal tão somente]. Estes frios Conselheiros nunca poderiam ser Médicos nem Cirurgiões, e deixariam morrer os doentes antes da sangria, ou do cáustico. Saibam pois os tais prudentíssimo que nós sabemos o que é reformar: sabemos que reformar não é destruir. [vejamos como dá a volta ao leitor] Reformar em bom Português é tornar a fazer, ou fazer de novo [então, ficou a definição a meio? isso é apenas "refazer", e não reformar]; e para isto às vezes é preciso destruir [... ora cá está o ponto de chegada]. Os Pontífices Clemente XIII e XIV quiseram reformar os Jesuítas por muitas vezes, e com muito melindre, e vendo a sua contumácia, Ganganelli os destruiu finalmente, e foi envenenado por eles [já é a segunda vez em tão pouco tempo que falam em envenenar. Ó liberalhões da ceita pedreiral, quem envenenou D. João VI, quem disparou contra D. Carlos e D. Luís Filipe (e quem colocou um cúmplice no Panteão Nacional?)?]. Pedro Grande quis reformar os Austerlitz, e afinal os destruiu. O nosso Augusto Reformador não quer destruir [mas destruiu muito], quer edificar [não edificou], e quer pôr Portugal no seu antigo pé [totalmente ao contrário], conformando a sua Reforma com as Luzes do século XIX [ora aqui está... no séc. XX chamaram a este tipo de manha destruidora o doce nome de aggiornamento], e não com as trevas do século XI [no séc. XXI, porque as provas são contrárias, já se  calaram os sérios historiadores de dizer que a Idade Média foi a Idade das Trevas, e, pelo contrário, descobriu-se que os inventores de tal lenda negra foram os inimigos do Catolicismo; eis o ilustradíssimo liberal sem acertar uma que seja, mas conseguindo enganar os leitores liberais na cidade do Porto], quando se erigiu a Monarquia. É triste cousa amarrar os vivos às costas dos mortos, e querer por força que façamos o que se fazia há oitocentos anos! [triste artifício hoje muito apresentado pelos mesmos liberais, republicanos, e outros que tal: em vez de pegarem no argumento do oponente, colocam-lhes boca um falso argumento (com algumas semelhanças), e vestem a pele de autoridade moral para disparar a correcção].

O nosso Augusto Legislador e Reformador quer plantar em um campo cheio de abrolhos [o velho artifício que já parvos engana: fazer que tudo pareça muito, mal muito mal, para forçar e justificar e animar a uma rebelião em força; mais uma vez há que lembrar que as dificuldades que tinha havido em Portugal deviam-se sim às tentativas de invasão maçónicas: seja do lado de franceses, seja do lado de ingleses, etc.]; quer fazer reverdecer a Seara Nacional [é grande a maldade para mentir assim; isto foi escrito em tempos do Rei D. Miguel, o qual estava a restituir as instituições e tudo de bom e grande que nos tinham levado]; e para isso é indispensável arrancar cardos e joio para florescer o trigo [ora cá está onde queria ele chegar, e que veio a ser realizado; como a diferença de que, distraidamente, talvez, confundiram "joio" por "trigo"]. Quem é cardo e ervilhaca tenha paciência: bem lhe basta a substância que já extraiu do terreno. Nas Ilhas dos Açores já se fez tudo isso; e os Ilhéus muito contentes abençoam a Memória do seu Reformador. Nós queremos abelhas no cortiço queremos mel, e muito poucos gangaãos. Bem sabemos a fábula dos Patrícios do Povo Romano. É preciso haver Fidalgos, Magistrados, Padres, e Empregados Públicos; mas não queremos traidores, nem homens que, sem fazer nada vivam à custa dos Forais e Dízimos, e de mil Direitos Banais, que se inventaram nos tenebrosos tempos do Feudalismo, e que tem entisicado a Nação por tantos séculos para engordar gente perigosa, ou pelo menos inútil.

(a continuar)

14/05/18

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXLIII

CARDEAES PORTUGUESES (I)

Cardeal Rei D. Henrique
A Quatro classes reduzi os Cardeais, de que escrevo neste Catálogo. A primeira compreende os Cardeais certamente Portugueses. A segunda, os Cardeais, que sendo estrangeiros, tiveram Igrejas, ou Benefícios em Portugal, por cuja causa são contados entre os Portugueses. A terceira, os Cardeais duvidosos, ou seja a dúvida de se foram Cardeais, ou de se foram Portugueses. E a quarta, os Anti-Cardeais, criados pelos Anti-Papas, que foram naturais deste Reino, ou nele tiveram Igrejas. Na segunda classe suspeito, que será este Catálogo muito diminuto; porque me persuado, que houve muito mais Cardeais, que tiveram Benefícios nas Sés de Portugal, do que os que aqui vão apontados. Os que aparecerem de novo, se nomearam na segunda impressão deste Catálogo, para que todos possam ir na História.

CLASSE PRIMEIRA
Dos Cardeais Certamente Portugueses


I Cardeal
Mestre Gil, ou Egídio

Foi filho de Juliano, Chanceler mór dos Reis de Portugal D. Afonso II, D. Sancho II, e D. Afonso III. Viveu o Cardeal em tempos deste último. Foi parente de S. Fr. Gil, da Ordem dos Pregadores. Foi Cónego de Viseu, e homem douto. É omitido, como alguns outros, dos que escreveram as Vidas dos Cardeais. Mas de uma Doação delRey D. Afonso III consta, que foi Cardeal. Dele falam D. Fr. Prudêncio de Sandoval na História de Tuy (pág. 147 vério), Jorge Cardoso no Agiológio Lusitano (tomo 2 pág. 387), e o Pe. António Macedo na Lusitania Pupurata (pág. 59).

II Cardeal
D. Paio Galvão

Foi natural de Guimarães, filho único de Pedro Galvão, e de D. maria Pais. Foi Cónego Regente de Santa Cruz de Coimbra. Foi Mestre em Teologia pela Universidade de Paris. Foi Mestre-escola de Guimarães, Embaixador de Obediência a Roma, mandado por ElRei D. Sancho o I Pelo Papa Inocêncio III foi feito Cardeal Diácono no título de Santa Maria in Septisolio no ano 1206. No ano 1211 foi Cardeal Presbítero do título de Santa Cecília; e no ano 1215 Cardeal Bispo Albanense. O Papa Honório III o mandou Legado Apostólico com a Cruzada à Conquista da Terra Santa no ano 1219. No ano de 1225 foi Legado ao Imperador Frederico II. Morreu no primeiro de Junho de 1228. Dele falam todos os que escreveram as vidas dos Cardeais, e as Histórias das Cruzadas. O Padre António de Macedo na Lusitania Purpurata. O Padre D. Nicolau de Santa Maria lhe escreve a vida na Crónica dos Cónegos Regrantes (tomo 2 lib. II capII)

III Cardeal
D. João de Froes

Foi natural de Coimbra, filho de Álvaro de Froes, Senhor de Maiorca, e Alhadas no território de Coimbra, e de D. Elvira Cidiz, também Senhora de terras. Foi Cónego Regrante da Santa Cruz de Coimbra, Arcebispo de Besançon. Foi criado Cardeal pelo Papa Gregório IX que o mandou a pregar a Cruzada em Hespanha, e Portugal, adonde veio Legado Apostólico. Morreu no ano de 1236. Dele escreveu Manuel Severim de Faria nas Notícias de Portugal; o Padre António de Macedo no livro citado, faz sobre este Cardeal, uma larga Dissertação. Escreve a sua vida o Pe. D. Nicolau de Santa Maria na Crónica dos Cónegos Regrantes (tomo 2 liv. II cap. 3 pág. 438).

IV Cardeal
Pedro Julião

Foi, como fica dito, natural de Lisboa, alguns lhe chamam Pedro Hispano, ainda que todos o recolhessem nascido em Portugal, para que se veja, que quem chama Hespanhol a S. Dâmaso, não nega, que ele fosse Português. Estudou Lógica, Filosofia, e Medicina, Ciências, em que foi eminente, como testemunham as obras, que nelas compôs. Foi Arcediago de Vermuim, na Sé de Braga, D. Prior da insigne Colegiada de Guimarães, apresentado por elRei D. Afonso III no ano de 1273. No mesmo ano foi feito Arcebispo de Braga, e Primaz de Hespanha, e no mesmo criado Cardial Bispo Tusculano. Foi a sua criação singularmente estimável por duas circunstâncias, uma pelo Papa, que a fez, que foi o Beato Gregório X, e outra pelos quatro Companheiros, que nele teve, dos quais um foi S. Boaventura, outro Fr. Pedro de Tarantyasia, da Ordem dos Pregadores, que depois foi Papa Inocêncio V, outro Fr. Visdomino de Visdominis, que alguns afirmam, que foi eleito Papa, mas por morrer no mesmo dia da sua eleição, não é contado no número dos Papas; e se o foi, ouve duas Sés Vacantes em um só dia; o último, Fr. Bertrando de S. Martinho, Arcebispo de Arles, a quem Clemente IV tinha concedido o privilégio de trazer diante de si, por toda a Província, a Cruz à maneira do Pontífice Romano. Por tal Pontífice, e entre tais Varões foi o primeiro criado Cardeal o nosso Pedro Juliano, que por suas virtudes se fez digno do Sumo Pontificado, a que subiu a 13 de Setembro de 1276.

(a continuar)

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXLII

SUMOS PONTÍFICES PORTUGUESES


S. DÂMASO I

Foi S. Dâmaso Hespanhol [entenda-se: da Península Ibérica] sem controvérsia; sobre a Província, que herdou com o seu nascimento, discordam os Autores. Prevalece o juízo dos mais doutros Estrangeiros, e ainda Hespanhóis [entenda-se igualmente: da Península Ibérica] fôra de Portugal, à sentença de que foi Português. Duas terras há em Portugal, que aspiram a esta glória. Com menos fundamento a pertence a Idanha, animada com o testemunho de Dextro, Autor não admitido na nossa Real Academia. A terra de Guimarães se preza justamente de ser Pátria de S: Dâmaso. As razões em que se funda a sua justiça, expende com a erudição, que costuma o nosso Académico, e meu companheiro o Reverendíssimo Padre D. Jerónimo Contador, Clérigo Regular, nas suas bem judiciosas Memórias de Braga.

Entrou S. Dâmaso no Sumo Pontificado, no ano de 367 e no Céu em 11 de Dezembro de 384. Está sepultado na Basílica, que edificou em Roma, que hoje se chama de S. Lourenço in Damaso, tem este Epitáfio:

Sub hoc Altari condita sunt
Corpora S. Damasi PP. rt Confessoris,
Et S. Christi Martyris Eutichii.

A sua Vida escrevem todos os Autores das Vidas dos Sumos Pontífices. A este Catálogo basta alegrar ao Padre António de Macedo, da Companhia de Jesus na sua Lusitania Insulata, et Purpurata.



JOÃO XXI

Foi Português, natural de Lisboa Ocidental, baptizado na Freguesia de S. Julião. Sendo Cardeal, e Bispo Tusculano, foi eleito Sumo Pontífice na Cidade de Viterbo, no ano de 1276 e no seguinte espirou. Causou-lhe a morte na mesma Cidade a ruina de uma casa, a que sobreviveu poucos dias; morreu piamente em Viterbo a 16 de Maio de 1277. Está sepultado na Igreja Maior dedicada a S. Loureço, e tem na sepultura este Epitáfio:

Joanni Lusitano XXI
Pontificatus Max. fui mense VIII
Moritur M.CC.LXXVII

Escrevem a sua vida, além dos que tratam dos Papas, o Padre António de Macedo no livro citado; e Jorge Cardoso no Agiológio Lusitano Tom.3 no dia 16 de Maio. Os lugares, que ocupou antes da Suprema Cadeira, se verão abaixo, quando falarmos dele como Cardeal Português. Como foi Varão doutíssimo, favoreceu muito aos estudiosos, principalmente pobres, dando-lhes Benefícios para mais comodamente se aplicarem às letras.


Antipapa
MAURÍCIO BURDINO
que se chamou
GREGÓRIO VIII

Assim como se devia contar entre os Pontífices Portugueses um Papa Estrangeiro, que tivesse tido alguma Diocese em Portugal, assim se deve contra entre os Portugueses um Antipapa Francês, que teve em Portugal não só uma, mas duas Igrejas, a Episcopal de Coimbra, e a Primacial de Braga. Este foi Maurício Burdino, natural de Limoges, que teve excelentes princípios, pelos quais foi escolhido sucessivamente para aquelas duas Prelazias, que governou bem com doutrina, e exemplo.

Sendo Bispo de Coimbra foi à terra Santa, acompanhado ao seu Soberano o Conde D. Henrique, primeiro fundador do nosso Império. Voltando a Portugal, foi visitar a S. Giraldo, Arcebispo de Braga, e seu Metropolitano: este vaticinou, que ele lhe havia de suceder na Cadeira. Morto S. Giraldo, foi eleito em seu lugar Maurício, que logo partiu para Roma pedir a confirmação, e o Pálio ao Papa Pascoal II. De Roma trouxe o corpo de Santiago Interciso, que hoje se venera na Sé Primacial. Neste Reino concluiu negócios muito úteis à sua Igreja.

Eram por aquele tempo muitos, e grandes os agravos, que D. Bernardo, Arcebispo de Toledo, e Legado Apostólico em Hespanha, fazia aos Prelados destas Províncias, e principalmente ao Arcebispo de Braga Maurício Burdino, dos quais este se foi queixar ao Papa Pascoal II, e não se contendo dentro dos termos da defensiva, passou a acusar a D. Bernardo, pertencendo, que se lhe tirasse por incapaz, e velho já caduco, o Arcebispo de Toledo, dizem, que com ânimo de suceder-lhe, o que não crerei facilmente; porque sei que os Autores, que escreveram deste infeliz Arcebispo, disseram muitas coisas contra a verdade dos sucessos, e não estava Maurício tão malquisto em Braga, que quisesse deixar por Toledo a Primazia de Hespanha; mais verosímil é, que quisesse suceder a D. Bernardo na Legacia dela, e por ventura, que só esta com amovível, e causa das perturbações, que padeciam os Bispos de Hespanha, pretenderia Maurício, que se tirasse a D. Berardo, o que o Papa não fez, não querendo desconsolar a um Arcebispo velho, e benemérito da Igreja.

Achava-se por desgraça Maurício ainda em Roma no ano 1117 em que Henrique IV eleito Imperador, entrou com um Exército em Roma, para obrigar ao Papa Pascoal II a que o coroasse; o que o Pontífice por certas causas não queria fazer, e por isso se retirou a Monte Cassino, e daí a Benevento. Na ausência do Papa pertenceu Henrique, que o Clero Romano o coroasse, e não o conseguindo, fez-se coroar por Maurício, Arcebispos de Braga, e Primaz da Hespanha, que não tendo valor para não condescender com as injustas instâncias de um Imperador na testa de um Exército, nem podendo fugir, como tinha feito o Papa, o coroou, apesar do mesmo Pontífice, que justamente indignado contra Maurício, o declarou excomungado no Concílio, que celebrou em Benevento, no ano de 1117.

Com a morte de Pascoal II e eleição de Gelásio II sucedida em 2 de janeiro de 1118 melhorou a fortuna de Maurício; porque Gelásio não só o absolveu, e lhe restituiu o Pálio; mas mandou-o por seu Legado ao mesmo Imperador Henrique IV a quem era muito aceito. Mas indignado o Imperador, de que o Papa o não tivesse recebido em Roma, e tivesse fugido para Caieta, fez eleger em seu lugar a Maurício, sem que este na sua instrução tivesse mais culpa, que o consentimento, e o chamar-se logo Papa, com o nome de Gregório VIII e fazer tudo o mais, que podia, como se fosse legítimo Papa; e assim prescreveu, até que Calisto II sucessor de Gelásio II o cercou no ano de 1121 na Cidade de Dufri, adonde se tinha feito forte, e entregando-lho os moradores daquela pequena cidade, em Abril do mesmo ano, o levou diante de si montado em um Camelo com o rosto para trás, para maior castigo da sua culpa; e assim entrou em Roma, e daí o mandou preso para o Mosteiro da Cova no Reino de Nápoles; de donde depois foi mandado por ordem do mesmo Calixto II para o Castelo de Janula, adonde esteve preso em quanto viveu aquele Papa. Seu sucessor Honório II eleito no ano de 1124 mandou mudar a Maurício para o Castelo de Furmon na Campanha de Roma, que nos anos adiante foi mais célebre por ser a prisão, que nos anos adiante foi mais célebre por ser a prisão, em que o Papa Bonifácio VIII mandou meter a S. Celestino V depois de ter renunciado o Sumo Pontificado. Neste Castel acabou Maurício a sua larga vida; escreve-se, que em todo o tempo destas prisões fez penitência dos seus pecados, em que tinha tido muitos a quem erradamente seguir, e que teve não poucos, que infelizmente o imitassem, sendo muito poucos os Antipapas, que lhe deram exemplos para o arrependimento, e muito menos os que dele o tomaram. Escrevem a sua vida, além dos Escritores das dos Pontífices, o Senhor D. Rodrigo da Cunha na História de Braga (parte 2. cap. 8 e 9), Estêvão Baluzio (no tomo 3 das Miscelâneas, desde a página 471). Dele fala o eruditíssimo Marquês de Mandejar na sua eruditíssima Dissertação da Pregação de Santiago em Hespanha (cap. 10 desde a folha 60 verso até 75), e ultimamente o nosso eruditíssimo Académico o Senhor Francisco Leitão Ferreira, no seu Catálogo dos Bispos de Coimbra (§ 23).

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXLI


TRATADO - PORTUGAL, BRASIL - 29 de Janeiro de 1825

D. João VI
Ministério dos Negócios Estrangeiros

Dom João por Graça de Deus, Imperador do Brasil, e Rei de Portugal, e dos Algarves, daquém e dalém mar, em África, Senhor de Guiné, da Conquista, Navegação, e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia, e da Índia etc.

Faço Saber aos que a presente Carta de Confirmação e Retificação virem, que em 29 de Agosto do corrente ano, se concluiu e assinou, na Cidade do Rio de Janeiro, entre Mim, e o Sereníssimo Príncipe D. Pedro, Imperador do Brasil, Meu Sobre todos Muito Amado e Prezado Filho, pelos respectivos Plenipotenciários munidos de competentes Poderes, um Tratado de Paz, e Aliança, do qual o teor é o seguinte:

Em Nome da Santíssima e Indivisível Trindade, Sua Majestade Fidelíssima, Tendo constantemente no Seu Real ânimo os mais vivos desejos de restabelecer a paz, amizade, e boa harmonia entre Povos Irmãos, que os vínculos mais sagrados devem conciliar e unir em perpétua aliança; para conseguir tão importantes fins, promover a prosperidade geral, e segurar a existência política, e os destinos futuros de Portugal, assim como os do Brasil; e Querendo de uma vez remover todos os obstáculos, que possam impedir a dita aliança, concórdia, e felicidade de um e outro Estado, por Seu Diploma de 13 de Maio do corrente ano Reconheceu o Brasil na categoria de Império Independente, e separado dos Reinos de Portugal, e Algarves, e a seu sobre todos muito Amado e Prezado Filho, Dom Pedro, por Imperador, cedendo, e transferindo de Sua livre vontade a Soberania do dito Império ao Mesmo Seu Filho, e Seus Legítimos Sucessores, e Tornando somente, e Reservando para a Sua Pessoa o mesmo Título - E Estes Augustos Senhores, aceitando a Mediação de Sua Majestade Britânica para o ajuste de toda a questão incidente à separação dos dois Estados, tem Nomeado Plenipotenciários; a saber: Sua Majestade Fidelíssima ao Ilustríssimo e Excelentíssimo Cavalheiro Sir Carlos Stuart, Conselheiro Privado de Sua Majestade Britânica, Grã-cruz da Ordem de Torre e Espada, e da Ordem do Banho. Sua Majestade Imperial ao Ilustríssimo e Excelentíssimo Luís José de Carvalho e Melo, do Seu Conselho de Estado, Dignatário da Imperial Ordem do Cruzeiro, Comendador das Ordens de Cristo e da Conceição, e Ministro e Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros; ao Ilustríssimo e Excelentíssimo Barão de Santo Amaro, Grande do Império, do Conselho d'Estado, Gentil-homem da Imperial Camara, Dignitário da Imperial Ordem do Cruzeiro, e Comendador das Ordens de Cristo e da Torre e Espada; e ao Ilustríssimo e Excelentíssimo Francisco Vilela Barbosa, do Conselho d'Estado, Grã-cruz da Imperial Ordem do Cruzeiro, Cavaleiro da Ordem de Cristo, Coronel do Imperial Corpo de Engenheiros, Ministro e Secretário d'Estado dos Negócios da Marinha, e Inspector Geral da Marinha.

E visto, e trocados os seus Plenos Poderes, convieram em que, na conformidade dos princípios expressados neste Preâmbulo, se formasse o presente Tratado.

Antigo 1º - Sua Majestade Fidelíssima Reconhece o Brasil na categoria de Império Independente, e separado dos Reinos de Portugal, e Algarves, e a Seu sobre todos muito Amado e Prezado Filho Dom Pedro por Imperador, cedendo, e transferindo de Sua livre vontade a Soberania do dito Império ao Mesmo Seu Filho, e a Seus Legítimos Sucessores.
Sua Majestade Fidelíssima Toma somente e Reserva para a Sua Pessoa o mesmo Título.

Artigo 2º - Sua Majestade Imperial, em reconhecimento de respeito e amor a Seu Augusto Pai, o Senhor D. João VI, anuí a que Sua Majestade Fidelíssima Tome para a Sua Pessoa o Título de Imperador.

Artigo 3º - Sua Majestade Imperial Promete não aceitar proposições de quaisquer Colónias Portuguesas para se reunirem ao Império do Brasil.

Artigo 4º - Haverá d'ora em diante paz, e aliança, e a mais perfeita amizade entre os Reinos de Portugal, e Algarves, e o Império do Brasil, com total esquecimento das desavenças passadas entre os Povos respectivos.

Artigo 5º - Os Súbditos de ambas as Nações Portuguesa, e Brasileira, serão considerados e tratados nos respectivos Estados como os da Nação mais favorecida e amiga, e seus direitos e propriedades religiosamente guardados, e protegidos; ficando entendido, que os actuais possuidores de bens de raiz serão mantidos na posse pacífica dos mesmos bens.

Artigo 6º - Toda a propriedade de bens de raiz ou móveis, acções, sequestrados ou confiscados, pertencentes aos Súbditos de ambos os Soberanos de Portugal, e do Brasil, serão logo restituídos, assim como os seus rendimentos passados. Deduzidas as despesas da administração, ou seus Proprietários indemnizados reciprocamente pela maneira declarada no artigo oitavo.

Artigo 7º - Todas as Embarcações e Cargas aprezadas, pertencentes aos Súbditos de ambos os Soberanos, serão semelhantemente restituídas, ou seus Proprietários indemnizados.

Artigo 8º - Uma Comunicação nomeada por ambos os Governos, composta de Portugueses, e Brasileiros, em número igual, e estabelecida onde os respectivos Governos julgarem por mais conveniente, será encarregada de examinar a matéria dos Artigos Sexto e Sétimo, entendendo-se, que as reclamações deverão ser feitas dentro do prazo de um ano depois de formada a Comissão; e que no caso de empate nos votos, será decidida a questão pelo Representante do Soberano Mediador. - Ambos os Governos indicaram os fundos por onde se hão de pagar as primeiras reclamações liquidadas.

Artigo 9º - Todas as reclamações públicas de Governo a Governo serão reciprocamente recebidas e decididas, ou com a restituição dos objectos reclamados, ou com uma indeminização do seu justo valor. Para o ajuste destas reclamações, Ambas as Altas Partes Contratantes Convieram em fazer uma Convenção directa e especial.

Artigo 10º - Serão restabelecidas desde logo as relações do Comércio entre ambas as Nações, Portuguesa, e Brasileira, pagando reciprocamente todas as mercadorias quinze 15% de direitos de consumo, provisoriamente; ficando os direitos de baldeação e reexportação da mesma forma que se praticava antes da separação.

Artigo 11º - A reciproca Troca das Ratificações do presente Tratado se fará na Cidade de Lisboa dentro do espaço de cinco meses, ou mais breve, se for possível, contados do dia da assinatura do presente Tratado.

Em testemunho do que nós, abaixo assinados, Plenipotenciários de Sua Majestade Fidelíssima, e de Sua Majestade Imperial, em virtude dos nossos respectivos Plenos Poderes, assinamos o presente Tratado com os nossos Punhos, e lhe fizemos pôr o Selo das nossas Armas.

Feito na Cidade do Reio de Janeiro, aos 29 dias do mês de Agosto do ano de 1825.

(L.S.) Carlos Stuart                            (L.S.) Luís José de Carvalho e Melo
                                                            (L.S.) Barão de Santos Amaro
                                                            (L.S.) Francisco Vilela Barbosa

E sendo-Me presente o mesmo Tratado, cujo teor fica acima inserido, e bem visto, considerado e examinado por Mim tudo o que nele se contém, o Ratifico e Confirmo assim no todo como em cada uma das suas Cláusulas e Estipulações; e pelo presente o Dou por firme e válido para haver de produzir o seu devido efeito; Prometendo Observá-lo e Cumpri-lo inviolavelmente, e Fazê-lo cumprir e observar por qualquer modo que possa ser. Em testemunho e firmeza do sobredito Fiz passar a presente Carta, por Mim assinada, passada com o Selo grande das Minhas Armas, e Referendada pelo Meu Conselheiro Ministro e Secretário de Estado abaixo assinado. Dada no Palácio de Mafra, aos 15 dias do mês de Novembro do Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1825.

IMPERADOR e REI (com Guarda)
Conde do Porto Santo

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXL

MOTU PROPRIO - D. João VI - 15 de Novembro de 1825


MOTU PROPRIO de D. JOÃO VI, IMPERADOR DO BRASIL E REI DO REINO UNIDO (Luso).

D. João por Graça de Deus, Rei do Reino Unido de Portugal, e do Brasil, e Algarves, d'aquém, e d'além mar, em África Senhor da Guiné, e da Conquista, Navegação, Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia, e da Índia, etc. Aos Vassalos de todos os Estados dos Meus Reinos e Senhorios, saúde. Faço saber aos que esta Carta de Lei virem: que pela Minha Carta Patente, dada no dia 13 de Maio do corrente ano, Fui Servido tomar em Minha Alta Consideração quanto convinha, e se tornava necessário ao Serviço de Deus, e ao bem de todos os Povos, que a Divina Providência Confiou à Minha Soberana Direcção, pôr termo aos males, e dissenções, que têm, ocorrido no Brasil, em gravíssimo dano e perda, tanto dos seus Naturais, como de Portugal, e seus Domínios: o Meu Paternal desvelo se ocupou constantemente de considerar quanto convinha restabelecer a paz, amizade, e boa harmonia entre Povos Irmãos, que os vínculos mais sagrados devem conciliar, e unir em perpétua aliança: para conseguir tão importantes fins, promover a prosperidade geral, e segurar a existência Política, e os destinos futuros dos Reinos de Portugal, e Algarves, assim como os do Reino do Brasil, que com prazer Elevei a essa Dignidade, Preeminência, e Denominação, por Carta de Lei de 16 de Dezembro de 1815, em consequência de que, Me presaram depois os seus Habitantes novo juramento de fidelidade no Acto solene da Minha Aclamação na Côrte do Rio de Janeiro: Querendo de uma vez remover todos os obstáculos que pudessem impedir, e opor-se à dita aliança, concórdia, e felicidade de um e outro Reino, qual Pai desvelado, que só cura do melhor estabelecimento de seus Filhos: Houve por bem ceder e transmitir em Meu sobre Todos Muito Amado, e Prezado Filho, Dom Pedro de Alcântara, Herdeiro, e Sucessor destes Reinos, Meus Direitos sobre aquele País, Criando, e Reconhecendo sua independência com o Título de Imperador do Brasil. Meus desígnios sobre este tão importante objecto se acham ajustados da maneira que consta do Tratado de Amizade, e Aliança, assinado no Rio de Janeiro no dia 29 de Agosto do presente ano, ratificado por Mim no dia de hoje, e que vai ser patente a todos os Meus Filhos Vassalos, promovendo-se por ele os bens, vantagens, e interesses de Meus Povos, que é o cuidado mais urgente de Meu Paternal Coração. Em tais circunstâncias, Sou Servido assumir o Título de Imperador do Brasil, Reconhecendo o dito Meu sobre Todos Muito Amado e Prezado Filho, D. Pedro de Alcântara, Príncipe Real de Portugal, e Algarve, com o mesmo Título também de Imperador, e o exercício da Soberania em todo o Império: e Mando que d'ora em diante Eu assim fique reconhecido com o Tratamento correspondente a esta Dignidade: outro sim Ordeno, que todas as Leis, Cartas Patentes, e qualquer Diplomas, ou Títulos, que se costumam expedir em O Meu Real Nome, sejam passados com a fórmula seguinte: "Dom João, por Graça de Deus, Imperador do Brasil, e Rei do Reino-Unido de Portugal, e Algarves, daquém, e dalém Mar, em África, Senhor da Guiné, e da Conquista, Navegação, e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia, e da Índia etc." Que os Alvarás sejam concebidos do seguinte modo: "Eu o Imperador e Rei, Faço saber etc." Que as Súplicas, e mais papéis, que Me são dirigidos, ou aos Meus Tribunais, aos quais Tenho Concedido o Meu Real Tratamento, sejam formulados de maneira seguinte: "A Vossa Majestade Imperial, e Real". Que a direcção dos Ofícios encaminhados à Minha Real Presença, ou pelas Minhas Secretarias de Estado, ou pelos Meus Tribunais, seja concebida pelo teor seguinte: "Ao Imperador e Rei Nosso Senhor". E que os outros Ofícios se concebam assim: "Do Serviço de Sua Majestade Imperial, e Real".

E esta, que desde já vai assinada com o Título de Imperador, e Rei Com Guarda, se cumprirá tão inteiramente como nela se contém, sem dúvida ou embargo algum, qualquer que ele seja. Para o que Mando à Mesa do Desembargo do Paço; Mesa da Consciência e Ordens; Regedor da Casa da Suplicação; Conselhos da Minha Real Fazenda, e dos Meus Domínios Ultramarinos; Governador da Relação e Casa do Porto; Presidente do Senado da Câmara; Governadores das Armas; Capitães Generais; Desembargadores das Armas; Capitães Generais; Desembargadores; Corregedores; Juízes; Magistrados Civis e Criminais destes Reinos e seus Domínios; a quem e aos quais o conhecimento desta, em qualquer caso pertencer, que a cumpram, guardem, e façam inteira e literalmente cumprir e guardar como nela se contém, sem hesitações, ou interpretações, que alterem as Disposições dela, não obstantes quaisquer Leis, Regimentos, Alvarás, Cartas Régias, Assentos, intitulados de Côrtes, Disposições, ou Estilos, que em contrário se tenham passado, ou introduzido; porque todos, e todas, de Meu Motu Próprio, Certa Ciência, Poder Real, Pleno, e Supremo, Derrogo e Hei por Derrogados, como se deles Fizesse especial menção em todas as suas partes, não obstante a Ordenação, que o contrário determina, a qual também Derrogo para este efeito somente, ficando aliás sempre em seu vigor. E ao Doutor João de Matos e Vasconcelos Barbosa de Magalhães, Desembargador do Paço, do Meu Conselho, que serve de Chanceler Mor destes Reinos, Mando que a faça publicar na Chancelaria, e que dela se remetam Cópias a todos os Tribunais, Cabeças de Comarca, e Vilas destes Reinos, e seus Domínios; registando-se em todos os Lugares, onde se costumam registar semelhantes Leis; e mandando-se o Original dela para a Torre do Tombo. Dada no Palácio de Mafra, aos 15 dias do mês de Novembro, ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, de 1825.
IMPERADOR e REI (com Guarda)

José de Almeida e Araújo Correia de Lacerda.
Carta de Lei, Constituição Geral, e Édito Perpétuo, pelo qual Vossa Majestade Imperial e Real, em consequência do que fôra servido prover por Sua Carta Patente de 13 de Maio do corrente ano, e do Contracto Celebrado pelo Tratado de 29 de Agosto do mesmo presente ano, há por bem assumir d'ora em diante o Título de Imperador do Brasil, unido aos outros Títulos da Sua Real Coroa, donde a este respeito as Providências convenientes; tudo na forma acima declarada.

Para Vossa Majestade Imperial e Real ver.
José Baldino de Barbosa e Araújo a fez.

08/05/18

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXXXIX

ÓRGÃO PORTUGUÊS - Concerto

Composição: sonatas 1, 2, 3, de Francisco Xavier Baptista (séc. XVIII)
Órgão: Igreja dos Clérigos, Porto - Portugal
Organista: Rui Soares
Concerto a 3 de Maio de 2018


O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXXXVIII


INFORMAÇÃO CARLISTA (II)

(continuação da I parte)

Fernando VII de Espanha
Ao termos em consideração os costumes e leis reconhecidos pelos Carlistas na sucessão ao Trono, apenas em Espanha, decidimos fazer uma cuidadosa verificação genealógica, em busca do sucessor mais directo de D. Sixto.

Recuemos no tempo, indo de D. Carlos Maria "primeiro pretendente carlista"...

1 - D. Carlos Maria: casou com D. Maria Francisca de Bragança, filha do Rei de Portugal D. João VI. Houve 3 filhos: Carlos Luís, João Carlos, Fernando. Enviuvado, casou D. Carlos com a Princesa da Beira D. Maria Teresa de Bragança, filha de D. João VI de Portugal, e desta não houve filiação.

2 - D. Carlos Luís: casou, mas não gerou. A sucessão passou ao seu irmão D. João Carlos.

3 - D. João Carlos: casou com D. Maria Beatriz, filha de D. Francisco IV Duque de Modena. Tiveram 2 crianças: Carlos Maria, e Afonso Carlos.

4 - D. Carlos Maria: casou com D. Margarida, filha do Duque Carlos II de Parma. Houve 5 filhos: Branca, Jaime, Elvira, Beatriz, Alice. Enviuvado, casou com D. Maria Berta, da qual não houve descendência.

5 - D. Jaime: não casou, nem tinha irmãos que herdassem. A sucessão recua ao tio D. Afonso.

6 - D. Afonso Carlos: casou com D. Maria de Bragança, filha mais velha do Rei D. Miguel de Portugal. Não houve descendência deste casamento. A sucessão teria agora de ser procurada entre os filhos de D. Carlos Maria (ponto 1), sobrando D. Ferrando caso tivesse tido descendência. Assim, chegamos ao início do Carlismo, ao ponto de partida: o próprio irmão de D. Carlos Maria, D. Fernando VII de Espanha, pai de D. Isabel.

Nada disto é novidade, tudo isto é conhecido entre os Carlistas e está a ser mostrado aqui aos leitores. Evidentemente, há uma aflição grande entre os tradicionalistas espanhóis. Coisas que aos tradicionalistas portugueses poderiam ter sido dadas ao conhecimento, faz bastante tempo (o que não ocorreu...!!!).

Mas, então fica esgotada toda a linha de sucessão? Não. Apenas ficou esgotada aquela que entrou no Carlismo, por assim dizer. Mas, continuando a aplicar os mesmos costumes e leis de sucessão, poderemos ainda fazer uma verificação partindo do Rei D. Fernando VII de Espanha.

(a continuar)

02/05/18

ASCENDENS - Abril de 2018


Como já vai sendo costume, damos as notícias internas ASCENDENS.

No mês de Abril o artigo mais lido continuo a ser o nosso campeão de visualizações "Genética - Descoberta Científica: o Gene Lusitano Existe Realmente"; devido a leitores "extraordinários" vindos dos motores de busca. Não nos admira nada, porque o tema é bem mais popular que aquele outro que melhor ilustra o nosso blog. Também pelo mesmo motivo, o segundo mais lido e partilhado no mês de Abril foi "Demónios - Ataque à Síria". Segue-se o "O Verdeiro 25 de Abril", e depois "Reposição da Verdade - A Cleresia em Portugal; a Uns e a Outros". Portanto, durantes estes anos a tendência continua a ser a mesma: os artigos mais sonantes e quase sempre menos importantes são preferidos do público em geral, contudo, os leitores mais fiéis dão leitura ao geral dos artigos.

E a quais artigos achamos fazer justiça? Que tal um "o Conceito de "Cristandade" que Nos Foi Legado (II)", ou o "Blog SANTO ZELO - Surpresa!", porque não o "o Punhal dos Corcundas nº10 (VI)", um "Côrtes de 1641 - D. João IV - com comentários (I)", ou até a raridade do Brasão do Cardeal Rei D. Henrique em "o Brasão Pelo Qual se Pode Orar nº479"?

Os leitores que perdoem a saída do guião, pois dois destaques exteriores não podemos calar. Um é o já anunciado trabalho que o amigo blog SANTO ZELO está a fazer com as suas belíssimas publicações diárias; o outro foi o amigo blog FIDELISSIMUS com a publicação "D. Carlota a D. Miguel - Carta". Para eles, os nossos melhores elogios e agradecimentos. É escusado elogias outros dois blogs amigos, o VERITATIS e o DESCOBRINDO; o primeiro porque o elogioso é o seu normal e obrigação, o segundo porque tem andado de longas férias.

Coisas que em Abril foram preparadas e das quais seremos difusores, em Maio: uma nova série de vídeos do Canal PEDRO de OLIVEIRA YouTube, relativo a falsas aparições no Algarve. Em breve daremos a actualização.

Até breve.

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXXXVI

01/05/18

INFORMAÇÃO CARLISTA (I)

Mediante a informação confirmada de que D. Sixto não era filho primogénito, e que seu irmão mais velho teve filhos que herdem o Trono de Espanha (actualmente ocupado por D. Filipe), algum leitor terá achado o óbvio, na falta de outras informações desenganadoras.

Em Espanha, pela Pragmática Sanción régia de 1776, fica assente que o sucessor perde tal direito ao contrair Matrimónio desigual. Eis o motivo pelo qual D. Carlos Javier perdeu o direito de sucessão, direito que passou ao irmão D. Jaime Bernardo, o qual, em 5 de Outubro de 2013 perdeu também o direito pelo mesmo motivo. Então, o tio D. Sixto herda o direito.

Mas, é oportuno lembrar que D. Sixto não tem descendência. Desde o primeiro momento os carlistas seguiram da lei sálica que a mulher não pode herdar o Trono, e dado que há que recuar muito (ao início do séc. XIX) para encontrar a linha sucessória, ficou a situação complicadíssima.

Depois de D. Sixto, a quem pertence herdar o Trono de Espanha?

(continuação, II parte)

28/04/18

A COMUNHÃO SACRÍLEGA



(ver comentários)

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXXXV

NA SERRA ALTA - Contra a Essência, Coisa Alguma


"Ao católico cabe essa posição que poderíamos chamar de "essencialista"[*]; ou seja, que não se deve julgar ou agir contra a essência, nem pode haver verdadeira liberdade em tal."

(na serra alta - J. Antunes)

[* - a consideração é independente daquilo a que se chama "essencialismo"]

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