26/07/17

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXXIII

UMA IMAGEM - CONCÍLIO VATICANO II

Foto da Praça de S. Pedro, a 11 de Outubro de 1962, por ocasião do Concílio Vaticano II: uma multidão de católicos, o aparato, a iluminação das velas que passavam seguras nas mãos esperançosas ... A obra gigantesca que o Concílio representou não parou ainda de nos surpreender com as suas consequências.
 

25/07/17

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXXII

NA SERRA ALTA - HONRAR OS SUPERIORES LGÍTIMOS

D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, Venerável da Santa Igreja
 
"Porque os nossos legítimos reis são nossos legítimos superiores, os nossos antigos tiveram virtude católica de honrá-los, desconfiando prontamente das teses adversas. (...) Eis um mau costume liberal lentamente assimilado pós victória liberal, eis um pecado mortal ao qual só a ignorância e a confusão poderão livrar de culpabilidade: tratar os nossos Reis legítimos com soberba, igualdade, desdém, juízo temerário, rebeldia, e outras posturas vis que, em outros tempos equivaleriam a uma debandada para o exército inimigo."
(na serra alta - J. Antunes)

10/07/17

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXXI

LEMBRANDO O FIDELISSIMUS Blog


Faz quase um ano o Blog ASCENDENS impulsionou a criação do blog FIDELISSIMUS, e foi orientando-o comunicando-lhe experiência. O resultado vai formoso e seguro.
 
Coincidiu que a actualização do nome do blog VERITATIS tivesse reforçado exteriormente o aspecto de concordância de linha, entre os três blogs: ASCENDENS, FIDELISSIMUS, VERITATIS. Todos estes estão suficientemente atentos entre si, para não haver repetições desnecessárias, contradições, certa variedade quanto à distribuição de temas, etc.. O SANTO ZELO foi criado depois, e o DESCOBRINDO foi reactivado.
 
Voltando ao FIDELISSIMUS. Há que louvar a paciência, dedicação, e constância do Telmo para diariamente dar ao público "O Santo do Dia", segundo calendário Tradicional. Mesmo quando a vida o apertou, lá esteve ele a tentar ser sempre fiel ao compromisso, para benefício do público. Não tardará muito que "O Santo do Dia" complete o ciclo anual. As publicações diárias sempre foram também difundidas na plataforma ASCENDENS no Facebook (igualmente para  publicações do SANTO ZELO, ASCENDENS, DESCOBRINDO, e VERITATIS).
 
No projecto "Arcanjo S. Miguel Custódio de Portugal" (iniciado em Janeiro de 2016) , nomeadamente para a edição dos áudio/vídeos do "Novo Vocabulário Filosófico-Democrático" foi ele quem com testemunhado trabalho deu a voz. Quem sabe, ainda consigamos retomar este trabalho!
 
Creio que os católicos têm algo a agradecer a quem assim labuta e lhes dá estas coisas sem lhes pedir retorno. Porque, ainda que o agradecimento não seja paga suficiente, nem sequer desejada ou exigida por quem deu, é pelo menos um indicador importante.
 
Portanto, para dar exemplo daquilo que deve, sou já o primeiro:

Caro Telmo, obrigado pela dedicação que teve, e ainda continua a ter, na colaboração destes católicos projectos.

Pedro Oliveira.

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXX

09/07/17

MODERNISMO - A DEFINIÇÃO É NECESSÁRIA E URGENTE

O modernismo aplica-se e desdobra-se a várias áreas, como seja à filosofia, teologia, sociologia, artes em geral etc.. tomando depois cada qual certo rumo próprio.
 
O blog ASCENDENS insiste que a definição de MODERNISMO é VITAL na Igreja, e era urgente. A indefinição tem feito estragos incalculáveis entre os católicos: uns porque atacam o "modernismo", outros porque dizem não ser "modernistas", outros porque querem olha o modernismo parcelarmente, outras diversas coisas. É um assunto sério, e não há tempo para melindrices.
 
Ao longo dos anos demos indícios e clarificações sobre o MODERNISMO (embora, por prudência e receio nunca tenha sido feito artigo ou obra acabada), esse problema fundamentalmente ONTOLÓGICO; também sobre o problema da volatilidade do conceito no uso, sintoma do mesmo modernismo.
 
O perigo de não saber o que é MODERNISMO e combater o "modernismo" é real,e cada vez será mais notório. O perigo de não saber o que é MODERNISMO e sem saber motivo válido colocar-se fora dele é um problema, que acontecerá cada vez mais. SIM. Não receamos dizer que não poucos que se dizem tradicionalistas são meros "modernistas-conservadores" (havemos de explicar isto melhor, porque poderá parecer contraditório).

Eu, autor deste blog, conheço várias "regiões" da Igreja, o seu clero (vida e formação); falo de algo que conheço de dentro, por décadas, e desde tenra idade, quando me refiro a "modernismo". A literatura respeitante serviu-me mais de complemento, afinação, e confirmação. Da própria pele me sai que: HÁ QUE SABER DEFINIR MODERNISMO, sim , MAS que tal exercício não pode ser feito sem GRANDE PERIGO (porque muitos que se dizem inimigos do modernismo estão mais em situação de ter de corrigir-se, e não poderia acontecer que tentassem uma "definição" que os sirva, piorando ainda mais a situação actual). Da nossa parte, sempre acusámos o que hoje aqui mostramos, sempre dissemos haver confusão de conceitos etc... somos insuspeitos.
 
A visão ONTOLÓGICA é um dos melhores antídotos contra o modernismo, mas sem intelectualismos demasiados, e mais com sentido pratico do olhar do dia a dia.
 
Pois bem ... a quem por esse tempo aqui e em outros lugares fechou os olhos a tal apelo nosso, cávai:

"O modernismo foi um erro combatido a seu tempo. Ainda hoje influencia certa teologia. Mas, não tem o menor sentido viver numa cruzada paranoicamente anti-modernista! Acusam de modernismo grandes teólogos do século XX, como Henri de Lubac e Yves Congar e denigrem a memória do grande teólogo Hans Urs von Balthasar! Todos esses teólogos eminentes e santos, apesar de serem somente padres, foram feitos cardeais por João Paulo II Magno e são queridíssimos de Bento XVI. Quanto a de Lubac, Ratzinger o considera um de seus mestres! Será que João Paulo II e Bento XVI são hereges modernistas? Ou será que são ignorantes tolos, que nem percebem o perigo desses teólogos? " (artigo de D. Henrique da Costa, 29 de Dezembro de 2008 ainda como Cónego, publicado ainda no seu site pessoal)
 
Chocante? Para alguns será, para outros quase, e para outros estará tudo em conformidade.

Como é mau ter título de "modernista", ninguém o quer ter; como é moda o título de "tradicionalista", muitos o querem.

"PADRE SUMMORUM PONTIFICUM" ?

 
Faz tempo significativo que temos acompanhado um dos casos aos quais não sabemos dar nome; porque ainda ninguém parece ter-se atrevido a dá-lo. Que nome dar aos Padres que seguem exclusivamente a Missa tradicional (como os restantes sacramentos), e doutrina tradicional selecionada (removendo-lhe o que fere a obrigatoriedade pós-conciliar)? Porque a pedra fundamental invocada por estes foi o Summorum Pontificum, e porque não podem ser considerados tradicionalistas, chamemos-lhes "padres summorum pontificum" [quem tiver melhor nome, diga].
 
Qual o motivo de nunca ninguém se ter lembrado de dar nome a estes casos, ou se há nome para eles não é conhecido por nós sequer? Porque estes poucos casos, crescentes, não são estimados: envergonham a uns, e são apenas tolerados pelas autoridades, que se servem deles para satisfazer aquilo que consideram ser uma das "modalidades católicas" agora em moda.
 
Caros leitores, existem hoje estes padres summorum pontificum, e trazemos hoje o caso de um deles, do qual não queremos dar nome nem lugar (há terceiros em causa). É muito provável que deste caso façamos mais artigos a este complementares, os publiquemos aqui, se não forem antes em algum do nosso ciclo de blogs amigos.
 
Este Senhor Padre summorum pontificum costuma apenas dos usos sacramentais antigos, funciona em templo grande e destinado pela paróquia, tudo em total sintonia com o Bispo Ordinário do lugar. Portanto, quem na paróquia quer participar na missa segundo Missal de Paulo VI vai a um lado, e quem quer assistir à Missa segundo o Missal de João XXIII vai a outra (e quem quer ir às duas, esteja à vontade).
 
Segue ele o Concílio Vaticano II? Não propriamente (quem é que o segue realmente!?), mas segue as directivas incontornáveis do "magistério pós conciliar". Além de incluir o Catecismo de S. Pio X nos vários livros recomendados, e livros escritos por santos, outros há que estão em linha incompactível (não tão pronunciadamente que a maioria dos fiéis saiba distinguir).
 
"Se houver por aí exagerados [tradicionalistas] de mentalidade antiquada pode acontecer que fiquemos todos sem sacramentos, sem esta missa. É isso que querem?". Existe este aquele tipo de jogo injusto contra os raros fiéis que se dão conta dos erros e comentam algo: ficam colocados sob o olhar da restante comunidade que lhe diz "calai-vos, ou ficamos sem missa por culpa dos vosso exageros". A preocupação e tentativa de abordagem de um problema real e maior, como se vê, acaba por ficar mascarado de problema subjectivo incómodo à comunidade (é esta corporação no mal e na mentira ainda mais grave pela circunstância, e que entra na marcha de fazer dos Meios ordinários da graça os fins). Os sermões de considerações vagas e veladas contra os fiéis mais lúcidos (os "ameaçadores") acaba por acender na alma dos restantes fiéis gradual inquietação e incógnita, que, mais tarde ou mais cedo, acabarão por equivocadamente encontrar pouso naqueles fiéis alvo.

O próprio manifestou em sermões que aquela comunidade não é tradicionalista, que trata-se de um movimento de pastoral diferente, porque todos na Igreja somos diferentes, e que por isto mesmo há movimentos diferentes na Igreja. Este Padre summorum pontificum quer agradar à autoridade, porque depende disto para viver (provavelmente não quereria ou conseguiria voltar à nova Missa), e não admira que agora mais recentemente tenha até negado o nome "tradicionalista".
 
Pelo que temos acompanhado durante aproximadamente 2 anos, o percurso desta história sempre a descer, mas sempre a subir quanto ao número de fiéis.
 
Este fenómeno não é em Portugal; não há em nossa escrita coisa alguma irreal neste caso e que não tivesse sido moderada previamente. O que aqui está é um resumo, e contamos fazer mais artigos a este respeito.

Eis um assunto que nos diz a todos, e urge também reflexão pessoal ao respeito.

Aguardemos mais notícias.

06/07/17

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXIX

CONTINUAÇÃO DA "A CASA SEM SARTO, NOVAMENTE?"

 
O Miles, autor do blog A CASA DE SARTO à nossa contestação já reagiu (aqui), agora menos doce, mas mais directo.
 
Que motivos tem o Sarto (assim lhe costumamos chamar) contra o blog ASCENDENS? Vejamos pela lista de possibilidades (não dispostas em rigor cronológico, tudo isto é público):
 
- Era 2008, em dado contexto, na caixa de mensagens do blog A CASA DE SARTO chamei-o "modernista"; acrescentando a minha disponibilidade para dar explicação de tal afirmação (esta caixa de mensagens foi recentemente apagada).

- O blog ASCENDENS enviou ao A CASA DE SARTO um pedido para remoção da ligação do nosso blog daquela lista de blogs. O motivo apresentado foi o de certa incompatibilidade, e de alguma contradição de pensamento, ainda que ilustrado de muitos afamados autores.

- O A CASA DE SARTO redigiu um artigo no qual atacou gratuitamente a Mons. Fellay (FSSPX), violentamente reactivo, não apresentando necessárias razões objectivas! A surpresa e indignação levou à reacção de alguns seus leitores acostumados, e espalhou-se ao mundo tradicionalista internacional; o site PERMANÊNCIA redigiu reprimenda, e outros houve em língua espanhola. De forma breve e pouco assinalada o blog ASCENDENS também manifestou surpresa e descontentamento.
 
- Da parte de cá, até 2011, nada de mais houve a assinalar; até que surgiu um pequeno debate a respeito da Igreja/escravatura, no qual, convenhamos dizer, o Sarto ficou refutado na sua posição por apostar na opinião comum, a qual eu conhecia bem, e que, por isso, nela tinha encontrado os erros que me tinham levado já à publicação de fontes e artigos das matérias.
 
- Por ocasião de uns comentários no VERITATIS, diante do mesmo Sarto, e perante a posição que tomou, critiquei o vínculo demasiado forte entre o A CASA DE SARTO e a "linha espanhola", e também o critério, ou falta dele, para distinção de matérias.
 
Assim foi até ao dia de ontem. Não parece nisto haver motivos para o autor do A CASA DE SARTO insistir contra o autor do blog ASCENDENS, sendo que nunca nos enviou críticas ou recomendações, ou pedidos de esclarecimento; o que não significa que não o tenha feito e dirigido a outros, ou em lugar por nós não acostumado... ou orquestrado outros intentos que nos tivessem chegado ao conhecimento em Portugal, na Espanha, ou na Argentina!
 
De que mal se queixa afinal o autor do A CASA DE SARTO!?

Sarto, pare e olhe ...
O que me quer!?

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXVIII

NA MINHA ALDEIA - AS POLÍTICAS

Acabo de encontrar isto:


Comento, imaginando certa aldeia:

- As casas da rua x foram construídas em parte pelos próprios donos, com granito, e barro. Não havia que pedir autorizações especiais numa construção destas em terreno próprio, nem havia que pagar imposto por tal.

- Em seu terreno cada qual tinha junto da habitação espaços para animais: cavalo, burrinho, porco; não havia problema se era gente em condições que os tinha.

- Fazia-se muita troca directa, comprava-se e vendia-se aos vizinhos, sem papeladas.

- As feiras não existem porque não há que ter nelas, nem quem lá vá.

- Quase todas as casas produziam o seu vinho e água-ardente, que se guardavam nas adegas, e ofereciam aos amigos, familiares, visitas. Hoje só a medo se produz a mesma quantidade, e a aguardente-boa nova só se clandestina, ou fraca.

- A matança do porco, que pelo menos uma vez por ano era feita em quase todas as casas, à porta, ou no quintal... ainda pode existir, porque a polícia fecha os olhos.

- O mesmo queijo que os meus avós compravam para diariamente terem, hoje é luxo.

- Constata-se que, em tempos de Salazar, principalmente no Interior cada qual era senhor de suas terras, casas, animais, etc.. Hoje, ter o mesmo é privilégio, e até o que temos não é nosso: a dívida que cada país contraiu é cada vez maior, a juros tão altos, que toda a situação declara que aquilo que pensamos ser nosso já não o seja realmente.

Este foi o resultado a que a política levou, contra a Tradição que a Civilização Católica nos tinha legado; e aqui vimos apenas símbolos pequenos mas capazes.

"A CASA SEM SARTO", NOVAMENTE?


Caros leitores,

o autor do blog A CASA DE SARTO veio agora à caixa de mensagens do nosso artigo "O DRAMA - A Associação CAUSA TRADICIONALISTA" para deixar esta sentida mensagem: "Informo o "Ascendens", que tenho em consideração de grande admirador d'"A Casa de Sarto", que esta última vai voltar à actividade regular proximamente e com todas as temáticas tão ao gosto do "Ascendens"." (Miles - 05/07/2017 - 11:47); e em resposta: "...todo eu sou alegria!" (Ascendens - 06/07/2017 - 11:47). Constata-se que, por exemplo, o blog VERITATIS, o qual pertence ao nosso grupo de blogs amigos (portanto, na mesma linha), andou a ser frequentado e comentado pelo autor da A CASA DE SARTO; contudo, o VERITATIS não mereceu agora nenhuma informação como aquela que recebemos do autor. Coincide que ontem, por outras vias, tínhamos tomado conhecimento do regresso do A CASA DE SARTO e preparado este artigo:
 
cabe-nos fazer significativas aclarações, visto que foi anunciado o regresso à actividade no blog A CASA DE SARTO.
 
"Em 2008 o autor do blog ASCENDENS solicitou ao Sr. Pe. Daniel Maret (FSSPX-Portugal) que:
- fossem convocados para reunião certos blogs tradicionalistas portugueses, por haver pontos divergentes nas publicações;
- para bem da Igreja e saúde da blogosfera católica, colocassem sobre a mesa as ideias divergentes;
- que o Senhor Padre aceitasse fazer de juiz das questões disputadas, com fim à unidade e clareza para bem da Igreja.
O Sr. Pe. Daniel Maret alegou-se pela ideia, e fez tentativas junto a um ou dois blogueiros (visto que os restantes estavam por mim tratados já). Os blogues eram:
 
- A CASA DE SARTO
- ASCENDENS
- o "Agnus" (autor de vários blogs)
- provavelmente o GAZETA DA RESTAURAÇÃO etc.
- VETUS ORDO
 
O autor do A CASA DE SARTO, com quem havia mais significativa discordância, o único que costumava frequentar o edifício da reunião, foi quem resistiu à ideia. Esta reunião de blogs nunca veio a acontecer; lá se foi a possibilidade de unidade "ideológica", clareza, diálogo (até debate)."
 
Fica assim mostrada a existência de diferenças entre blogs ditos tradicionalistas em Portugal, nomeadamente entre o A CASA DE SARTO e o ASCENDENS, e  o indício dos motivos vários para a não unidade na verdade [parece que o A CASA DE SARTO só conhece a "unidade" política]. Como o ASCENDENS, outros blogs tradicionalistas portugueses não foram inspirados pelo A CASA DE SARTO para que se pudesse dizer que começaram nessa linha e divergiram dela. Não admite isso, Miles?

Mais teremos para informar.

Previmos que, desde 2017, os erros venham mais refinados que antes e apresentados e tragados como solução para outros mais óbvios e sensacionais, independentemente de culpabilidade ou inocências! O recurso à política, activismo, e ao falso argumento de autoridade são o que contra a verdade mais tememos ver ampliados.

Aguardemos, e veremos!

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXVII

01/07/17

PIRATARIA - RADIO CRISTIANDAD

É significativa a quantidade de desaparecimentos forçados de "motores" tradicionalistas da "linha dura".
 
Fabián Vázquez, director e voz principal da Radio Cristiandad
Se há anos a famosa Radio Convicción do Chile desapareceu por dificuldades começadas no corte radical de verbas, nestes dias aconteceu algo diferente com a Rádio Cristiandad.
 
- "A Rádio Cristiandad desapareceu", disse alguém.
 
Desapareceu!?...
 
Fomos investigar.
 
Sim, o site da Radio Cristiandad desapareceu faz alguns dias, ou melhor, foi hackeado... explicando por palavras comuns: o site existe, não pode ser encontrado online, "milagre" da pirataria informática por mão de hacker. O Site da rádio ficou controlado por um hacker. Voltará? Depende do hacker ou de quem o contratou (se foi o caso).
 
Todos estarão a pensar "para que quer um hacker um site tradicionalista?" Quem souber, diga.
 
Nas nossas investigações notámos a necessidade de esclarecer alguns aspectos históricos da Rádio Cristiandad. Eis o resumo que conseguimos:
 
D. Bernard Fellay
A Radio Cristiandad  foi fundada por tradicionalistas argentinos, depois patrocinada pela FSSPX segundo intervenção pessoal do seu Superior Geral D. Bernard Fellay. Por volta de 2008/2009, a respeito da programação musical houve desentendimentos, entre o director da rádio (Fabian Vasquez) e o então superior de Distrito da FSSPX-América do Sul (hoje superior de distrito da FSSPX França - Sr. Padre C. Bouchacurt). Depois da Rádio fazer alguma resistência às novas políticas na FSSPX, a instituição retirou-lhe os apoios etc. [não conseguimos apurar quando ocorreu, se antes, se depois]. O site da radio continuou a crescer, tal como os ouvintes do programa "Mientras el Mundo Gira la Cruz permanece", programa que tinha como protagonista central a Fabian Vasquez; o Sr. Pe. Ceriani, o qual se havia demitido da FSSPX por discordância da actual política da instituição, passou a ser procurado pela rádio para entrevistas e programas, etc.; a radio chegou ao TOP 100 mundial de sites católicos; outros padres pelos mesmo motivos saídos da FSSPX tiveram cobertura da rádio para a difusão de sermões, palestras, aulas etc.; Todo este crescente foi muito abalado pelo acidente automobilístico que colheu a vida ao actor central da rádio, o seu director (a 24 de fevereiro de 2015).
 
D. Gerardo Zendejas, o 4º Bispo da "Resistência"
Dos "herdeiros de Lefebvre", seja a actual FSSPX, sejam os que dela saíram e reuniram em torno de D. Richard Williamson, sejam estes de quem agora falamos, todos manifestaram interesse em usar o nome "resistentes". Haveria que caracterizar cada qual para situar estes de hoje. Para fins de identificação fácil, tratemos agora o primeiro por FSSPX, o segundo por "Resistência", e o terceiro pelo nome que proferiram: "inóspita trincheira". Neste conjunto a FSSPX hoje destaca-se pelas questões da legalidade em vias de ultimar com Roma, a Resistência destaca-se pela rápido crescimento sem diminuição na qualidade inicial (vai com 4 Bispos), a Inóspita Trincheira destaca-se no Pensamento Católico, apologética, Teologia etc..
 
 
MAS.... de tanta coisa, o senhor hacker interessou-se pelo site da Rádio Cristiandad!
 
Milagre de conversão!

(se houver algo a corrigir no texto, enviar mensagem)

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXV

28/06/17

FRASES DO MÊS

Imagine a imagem invertida, sff. Obrigado.
"Não há ditadura por causa do ditador, mas por causa daquele que lhe obedece"
(Eduardo Vera-Cruz Pinto, em discussão nacional - TV Assembleia SP)

"Quem não sabe ser fiel no pouco, o muito doutras coisas lhe terá vindo."
(na serra alta - J. Antunes)

Ditados populares portugueses:

"Vassoura nova é que varre bem"

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"

"O que os olhos não vêem o coração não sente"

"Não é com vinagre que se apanham moscas"

"Não se fala em corda em casa de enforcado"

"Não é por muito madrugar que amanhece mais cedo"

"Em casa de papudos não se fala em papos"

"O pior surdo é o que não quer ouvir"

"Quem o seu cão quer matar chama-lhe raivoso"

"Muito esquece a quem não sabe"

"A boca ambiciosa só se fecha com terra de sepultura"

"Quem não quer ser lobo não lhe vista a pele"

"As aparências enganam"

"Muito custa a um pobre viver, e a um rico morrer."

"O bom filho à casa torna"

"Onde há fumo, há fogo"

"Quem não tem vergonha todo o mundo é seu"

"Quem vê caras não vê corações"

"Vai muito do dizer ao fazer"

24/06/17

O DRAMA - A Associação CAUSA TRADICIONALISTA

Algo propagado nas redes sociais pela associação cultural "Causa Tradicionalista":
 

Ohh tontos ... começais a dizer "liberalismo-absolutismo-maçonaria-democrático" depois de nas "Conversas de Café" usarmos "iluminismo-liberalismo-maçonaria"? Como colocais "liberalismo" na mesma linha de "absolutismo" se estes se colocaram declaradamente nos antípodas ideológicos? E pelo que pugnais vós? Pelo "poder de decisão dos povos"!? LIBERAIS.

NA SERRA ALTA - FIDELISSIMOS


"De todas as maravilhas que a Santa Igreja encontrou na fértil ceara dos Reinos Cristãos, a FIDELIDADE achou-se em maior constância e brilho em Portugal; característica esta nossa, tão própria e admirável que o Príncipe dos Apóstolos fez com ela coroa lusa (*). Assim, perante os Reinos Cristãos, e o mundo, Deus preparou Portugal para exemplo de Fidelidade, e da grande fidelidade que é a Fé. (...)  Embora Portugal seja de si mesmo desconhecido, não se entenderia o motivo de tal virtude demorar 600 anos em tornar-se oficiosa aos olhos do mundo, caso não fosse a muita discrição pública outra característica nossa, que nos tem protegido providencialmente tantas e tantas vezes. (...) para que cá os humildes possam assegurar-se que a Fé não é incompactível com a Fidelidade aos legítimos (...)"
(na serra alta - J. Antunes)

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXIII

23/06/17

OS BONS PRINCÌPIOS E A ESTRANHA PASTORINHA (I)


Submetamos a alguns dos nossos princípios uma passagem atribuída à Irmã Lúcia, do livro "Um Caminho Sob o Olhar de Maria". Tentativa arrojada esta, como verão, e contracorrente; a alguns leitores desagradará que desmontemos tal trecho, o submetamos, e voltemos depois a ordena-lo fazendo conclusão não coincidente com o seu sentir.
 
A passagem em questão:

"Se Portugal não aprova o aborto, ficará a salvo; se o aprovar, terá muito que sofrer. Pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável; mas pelo pecado da Nação paga todo o povo. Porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu."
 
Antes de mais, segundo dados que posteriormente daremos, não garantimos que estas sejam realmente palavras da Irmã Lúcia, nem asseveramos que a Irmã Lúcia não tenha dito algo parecido (anteriormente, já nos tinha parecido haver motivos para colocar algumas reservas ao livro de onde transcrevemos).

Atenção primeira a cada um dos pontos seguintes, contendo princípios antigos que defendemos, para melhor ir depois ao assunto (as notas serão colocadas  na caixa de comentários, e poderão ali aparecer outros complementos posteriormente):
 
- Cremos terem essência própria cada um dos Reinos Católicos (que a Cristandade coloca por ordem: Sacro Império, França, Inglaterra, Castela, Portugal, Catalunha etc.). [1]
 
- É público que falamos de Portugal pelo Reino Católico que É, o qual ESTÁ hoje ocupado por meio de uma República (antes por meio de uma "monarquia" constitucional, desde de 1834, a 1910 - no séc. XVII a nossa Monarquia tinha ela mesma ficado ocupada pelos ilegítimos reis Filipe). Reino de Portugal por vontade de Deus, com permissão de Deus hoje ocupado (à imagem do que sucede com os restantes Reinos Cristãos). Portanto, quanto ao SER: Portugal é um Reino; quanto ao ESTAR: Portugal está ocupado; e é justamente sob estas distinções que os nossos antigos não confundiram a rebelião com o dever de restituição daquilo que é devido. [2]

- Sabe-se que estamos firmemente com aquela verdade segundo a qual, nos referidos reinos cristãos, uma "lei" que fira aquilo que Deus ordena é violação, ofensa grave, coisa ilegítima (neste nível de consideração não pode haver licitude que seja ilegítima, ou legitimidade que seja ilícita), não seria verdadeira lei.  Tal não seria também coisa de Portugal, portanto, nem dos reinos cristãos, sim contra Portugal, ou contra qualquer um dos reinos cristãos onde aquilo fosse, contra a Europa, conta a cristandade e a Cristandade, [3] contra a Igreja. [4]
 
- Quem tomar para si estas verdades só poderá dizer: "afinal, Portugal não aprovou leis abortistas, nem aprova, nem aprovará".  E diz bem. É a Lei de Deus e a natural (ambas do mesmo Divino Autor) aquelas que, uma vez tomadas honestamente pelo Rei, ao Reino se aplicam, e estendem, desdobrando-se em várias leis e ordenações, à medida que a realidade clame, aqui e a li. [5]
 
- Temos usado a designação "República-em-Portugal", que o vulgo por enganado costuma chamar "República Portuguesa". Não pode essa tal república falar verdadeiramente em nome de Portugal [6] (atenção: não sugerimos ignorar ao ponto de ignorar os impostos etc... - assunto que não cabe aqui agora). Com ou sem culpabilidade (que a ignorância não culpável também não culpa), foram os republicanos os responsáveis pelas suas leis abortistas, para impô-las aos portugueses.

O leitor que não aceita estes princípios, provavelmente não lhe adiantará continuar a leitura.
 
Vamos agora submeter aos mesmos princípios aquelas palavras atribuídas à Irmã Lúcia:

1 - "Se Portugal não aprovar o aborto, ficará a salvo." - Portugal não aprova, não aprovou, nem aprovará (já vimos como). Adaptando: "Portugal não aprovará o aborto, e poe isso ficará a salvo".

2 - "se o aprovar [ao aborto], terá muito que sofrer." - como não o aprova, mas como houve "aprovação" republicana, adaptemos: "quem o "aprovar", terá muito que sofrer".

3 - "Pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável;" - Assim é.

4 - "mas pelo pecado da Nação paga todo o povo." - Sim, o princípio está certo, embora requeira trocar "nação" por "Portugal". Acontece tal pecado não é da Nação (como já vimos), é contra Portugal e a culpa recai em quem "aprovou" tal ataque aos portugueses: a "República-em-Portugal". Não há que adaptar que não seja necessário, e por isso apenas suprimamos esta parte.

5 - "Porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu." - esta explicação não é necessária agora, mas será depois comentada. Por isso também não há daqui coisa que adaptar.

["Adaptando: "Porque os falsos governantes que forjam as "leis" iníquas fazem-no usando o nome do povo que " ... > vestígio do nosso texto primitivo]
 
Montando as partes:

"Portugal não aprova o aborto, e fica a salvo; mas quem em Portugal o quer aprovar terá muito que sofrer; pois, pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável."

Aqueles que dizem "vamos exercer o nosso direito de voto" terão contas a prestar [7], isso sim, porque tal "direito" lhes veio do conjunto republicano de leis que os obriga às leis abortistas. É a esses que cabe ter muito que sofrer pelo negócio de usufruírem de falsos direitos em troca de dar falsa legitimidade à República. Como nós, todos aqueles que se têm negado a dar força de legitimidade à República-em-Portugal", não cabe sofrer nem muito nem pouco como seu povo; somos PORTUGUESES verdadeiros e suportamos o peso que hoje isso representa e exige.

Mas enfim, em Portugal mais legítimo é o poder temporal-territorial de um Bispo que o de um republicano; a Igreja em Portugal esteve sempre declaradamente contra o aborto. Nem sequer o aborto foi aprovado em Portugal ... continuou a ser crime nas leis republicanas, mas, em dadas condições tal crime é despenalizado (despenalizar um crime em dadas condições é diferente de legalizar o crime ou removê-lo dessa classe). Por fim, não foram os governantes republicanos a votar a despenalização: um referendo popular, cuja pergunta tinha várias deficiências, levou com uma abstenção de 56% (a maioria), e tendo havido um anterior, em 1998 o "não"ganhou.

(a continuar)

21/06/17

ASCENDENS - INFORMAÇÃO DE ÚLTIMA HORA


A 20 de Junho (2017) a página FSSPX-Portugal (Facebook) fez uma pequena postagem a respeito do trecho "Se Portugal não aprova o aborto, ficará a salvo; se o aprovar, terá muito que sofrer. Pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável; mas pelo pecado da Nação paga todo o povo. Porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu.", atribuindo-o à Irmã Lúcia. (partimos do princípio que a pequena postagem é independente da FSSPX).
 
O blog ASCENDENS informa que:

- em certo site o autor do blog ASCENDENS comentou o mesmo trecho, expondo-lhe as respectivas falhas;

- depois, dia 25 de Maio (2017) iniciámos no blog ASCENDENS a redacção de uma análise ao mesmo trecho;

- a delicadeza da matéria, a vastidão de conteúdos desacostumados dos católicos em geral, a dificuldade de tornar tudo resumido e claro acabou por demorar a redacção, e assim ficou "na gaveta";

- ontem ponderámos desistir da continuidade deste trabalho, mas, tornou-se evidente a maior necessidade em completá-lo, e publicá-lo;

- publicaremos então a parte já adiantada como "I parte", e ficará a "II parte" para depois (o artigo tem notas de rodapé na caixa de mensagens);

- para que esta informação tenha tempo de ser conhecida, publicaremos a I parte depois de passar um dia.

16/06/17

NA SERRA ALTA - INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL

S. Teotónio, primeiro Santo do Reino de Portugal, apoiante do Venerável  D. Afonso Henriques
"Pela independência daquilo que já era nosso, D. Afonso Henriques lutou - Rei que foi elevado a Venerável pela Santa Igreja, foi a ele dada milagrosa visão, teve o apoio de São Teotónio na independência. Pela independência de Portugal, lutou D. João I - deu-lhe Deus um General santo, o Santo Condestável D. Nuno Alvares pereira. Pela independência do Trono de Portugal, lutou D. João IV - Rei que coroou a Imaculada Conceição Rainha e Padroeira de Portugal, e que a devolução do Trono à legitimidade foi por Deus anunciado à Venerável Leonor Rodrigues. Toda esta independência contrasta com aquela dos liberais, que, depois da horrível victória de 1834: declara independência prática às leis de sucessão, usurpando o Trono; declara independência prática à Tradição e lei nossa, declarando o constitucionalismo; declara independência do poder temporal eclesiástico, nomeando um grupo de clérigos como representantes da Igreja em Portugal para com eles negociar a extinção da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa; sem querer deixar o nome católico declara independência para proceder à remoção de todos os Bispos resistentes (nomeando outros) e encerrar todos os Conventos. A primeira é a boa independência, que melhor deveríamos chamar "obrigação"; a segunda é uma má independência, que consiste na obtenção concupiscível de poder, domínio,  de ambições privadas,  desafogo de ódios, que os revolucionários costumam, desde os mais rudes aos mais sofisticados. Não parece que "independência" seja o melhor nome para aqueles nossos bons feitos, mas sim "obediência", "dever", "justiça", "patriotismo", "honra dos legítimos superiores", "heroísmo".
(na serra alta - J. Antunes)

13/06/17

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXII

13 de Junho - Sto. ANTÒNIO DE LISBOA E A CULTURA PORTUGUESA MEDIEVAL


A tamanha popularidade de Sto. António de Lisboa (ou Pádua) tem sobressaído tanto que muito se tem esquecido a sua cultura ê formação anteriores ao ingresso na Ordem Franciscana. Mas é justamente pelo seu santo percurso e feitos que suas bases anteriores se fazem evidenciar. Eis um autêntico intelectual da Idade Média.
 
Como todos sabem, Sto. António era da Paróquia da Sé de Lisboa, e morava a poucos metros da Sé; facto não de pouca influência, como veremos.
 
Sé de Lisboa
Na obra escrita de Sto. António são verdadeiro tesouro da Literatura na História universal, transparece um sólido e vivo saber dos assuntos, que a santidade elevou. O conhecimento profundo dos Padre da Igreja, os escritos clássicos, a Sagrada Escritura, as ciências naturais (Botânica, Mineralogia, Anatomia, Zoologia), as humanidades, o Direito e o discurso são em demasia para um simples franciscano recém chegado. Esta bagagem, evidentemente, é de cunho português, e foi levada dos vários locais insignes do seu Reino natal.
 
Mosteiro de S. Vicente de Fora - Lisboa
Sto. António de Lisboa é o primeiro Professor da Ordem Franciscana, e foi esta a que em tempos mais foi promovida em Portugal: basta olhar as inúmeras igrejas franciscanas portuguesas, em Portugal e além mar, o quanto de talha têm, e outras riquezas inumeráveis para Deus, que fazia a vida cotidiana dos franciscanos parecer ainda mais justamente pobre.
 
Igreja de S. Francisco - Porto (Portugal)
Igreja de S. Francisco - Salvador (Brasil)
O nosso santo foi sempre aluno modelo, e tudo pôde reter das aulas e sermões que ouviu por cá. Frequentou a escola da Catedral de Lisboa. O seu carácter instável, facilitou-lhe não prender-se às comodidades da segurança e vida, passando assim por vários locais religiosos movido por santa busca. Depois do mosteiro dos Cónegos Regrantes de S. Vicente de Fora (Lisboa), decidiu-se pelo auge do intelecto religioso ingressando no mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde foi ordenado Sacerdote (teria entre 25 a 30 anos de idade). Ouvindo falar dos martírios de franciscanos portugueses, ficou de tal forma motivado que decidiu imitá-los procurando o martírio, e juntou-se à Ordem.
 
Mosteiro de Sta. Cruz de Coimbra
Em Portugal, desde sempre, teve a formação eclesiástica de topo. Hoje são conhecidas as obras existentes nesse tempo das bibliotecas por onde passou (de 1207 a 1220). Confirmou-se recentemente que os livros referidos em seus sermões existiam à época nos respectivos mosteiros.
 
Os sermões de Sto. António são de toda a variedade de riquezas, muito bem fundamentados na Sagrada Escritura, e chove neles graça tanta que, certo dia, depois do Papa Gregório IX o ter ouvido chamou-lhe "Arca do Testamento, arsenal das Sagradas Escrituras!".
 
Mas tremam aqueles os menos informados e levados pelo escrúpulo, que enviariam à fogueira tudo o que tocou o paganismo... Sto. António de Lisboa, intelecto medieval, Doutor da Igreja, faz inúmeras referências a: Cícero, Catão, Dioscórides, Eliano, Escibónio, Euquério de Lião, Festo Solino, Lilão de Alexandria, Aristóteles, Tibulo, Sérvio, Publíbio Siro, Juvenal, Plínio o Antigo, Sócrates, Varrão, Séneca, Flávio Josefo, Horácio, Ovídio, Lucano, Terêncio, Donato.
 
Como é um pouco nossa inclinação no blog ASCENDENS, coincide que tb. Sto. António costumava partir do  étimo e do conhecimento da História Natural.

Outra característica em Sto. António de Lisboa é a abundante crítica, advertência, e condenações ao alto Clero e Regentes; ataca também a simonia, hipocrisia, perversão, os privados da luz da vida e da ciência por serem como cães mudos, os efeminados, etc. (1), e chega ao campo da profecia. Desengane-se quem que difundir a Idade Média como imaculada e recortada de tantos acontecimentos vergonhosos! A este respeito diz assim o nosso Doutor:
 
"E haverá grande matança na terra do Edom, isto é, nos clérigos que se mancharam com o sangue da luxúria e com a terra da pecúnia [dinheiro e poder]. E com eles cairão os unicórnios, os imperadores e reis deste mundo; e os touros, os bispos mitrados que têm na cabeça dois cornos como se fossem touros. Todos estes que não fizerem penitência dos pecados, cairão com os poderosos, que são os príncipes e potestades deste século, no inferno, lugar dos mortos" (Tesouros da Literatura e da História. Santo António de Lisboa. Obras Completas. Sermões Dominicais e festivos - Henrique Pinto Roma, Porto, Lello & Irmão Editores, 1997, Vol. II, pág. 439)
 
Evidentemente, louva e aponta o modelo eclesiástico: pobre no meio das riquezas, vida digna, de ciência, mansidão, justo, muito caridoso, pastores que brilham pela palavra e pelo exemplo, boa face de Cristo, amigos dos pobres, oração etc.. "Eis que o teu Rei vem a ti, para teu benefício... Manso, para ser amado. Não para ser temido pela potência... São duas as virtudes próprias dum Rei: a justiça e a piedade. Assim o teu Rei é justo, enquanto distribui a justiça a cada um segundo as suas obras". (Sermões, Vol I pág. 262-263)
 
Quanto ao Direito ele não pode afastar-se do que é o Direito Natural e Divino, visto que a Justiça plena só de Deus pode vir. Nada de novo, mas muito frisado por Santo António. O Direito assenta na Justiça (não ao contrário), e "a paz será obra da justiça e o Culto será o silêncio e a segurança sempiterna (Isaías). A obra da justiça, a obra daqueles que pela graça já se encontram justificados, é a paz"; "chama-se modéstia por guardar modo em tudo. Nota que a modéstia consiste sobretudo na paz do espírito e na honestidade do corpo".

O Papa Pio XII elevou a Santo António de Lisboa, "a boca de ouro", a Doutor da Igreja pela Bula Exulta, Lusitania felix (Exulta, ó feliz Lusitânia).

Há que lembrar que este artigo foca o lado intelectual do nosso Doutor, e não couberam outras grandes coisas já tratadas, ou que virão.

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXI

NA SERRA ALTA - Leonardo Castellani

Pe. Leonardo Castellani
"Pelo contrário, as alas resistentes, sofredoras das perseguições lançada por católicos liberais, a respeito do desaparecimento público do Sacro Império convergem. (...) Um D. Fr. Fortunato de S. Boaventura, um Pe. Agostinho de Macedo bem conheciam aquilo que no séc. XX também o Pe. Leonardo Castellani defendeu: o desaparecimento público do Sacro Império é anterior a 1834. (...) Daqui podemos tirar que o Constitucionalismo é contradição às monarquias tradicionais dos reinos cristãos, e que Portugal foi de todos o último a ficar ocultado socialmente, era o ano de 1834."
 (na serra alta - J. Antunes)

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